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Projeto finalístico

O resultado da Meta I e o caminho das Metas II e III

Síntese do documento oficial de 247 páginas entregue ao IBAMA: onde o Projeto Restaurar vai restaurar, o que os diagnósticos mostraram, como a restauração está sendo feita e como ela continua até o fim do projeto.

O projeto finalístico é o principal produto da Meta I do Projeto Restaurar. Ele reúne os diagnósticos feitos nas áreas e, a partir deles, define onde, como e com quais espécies a vegetação nativa será restaurada. É o documento que orienta a Meta II, em execução, e a Meta III, que fecha o projeto.

Esta página resume o documento. Os números e as definições oficiais estão no PDF completo.

01Identificação oficial

Restaurar: restauração com foco nas populações de espécies em risco de extinção do bioma Mata Atlântica em Santa Catarina e com ênfase no desenvolvimento sustentável e solidário.

Chamamento
Restauração da Mata Atlântica em SC – Edital de Chamamento Público IBAMA nº 02/2018
Acordo
Acordo de Cooperação Técnica nº 40/2021, entre o IBAMA e a AVICITECS (Centro Vianei)
Processo
nº 02001.033050/2019-15
Tipo
Projeto finalístico · demanda indireta
Território
Grupo Territorial III – Curitibanos
Espécies-alvo
Araucária (Araucaria angustifolia), imbuia (Ocotea porosa), canela-preta (Ocotea catharinensis) e xaxim (Dicksonia sellowiana)

A versão 3 atende ao Parecer Técnico nº 7/2025 do IBAMA (U-EFLORA-SC), que pediu a revisão completa da versão 2. Ela também segue a Instrução Normativa IBAMA nº 14/2024 e os indicadores ambientais definidos pelo IBAMA na Manifestação Técnica nº 20/2025. Em agosto de 2026, o Centro Vianei apresentou o projeto finalístico aprovado pelo IBAMA às comunidades beneficiárias.

02As oito áreas de restauração

A restauração acontece em oito Unidades de Implantação: seis áreas de Reserva Legal de assentamentos da reforma agrária (PA), uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) e um parque estadual. Juntas, somam 127,92 hectares em seis municípios, divididos em 20 polígonos e 67 subáreas.

MunicípioUnidade de ImplantaçãoTipoÁrea (ha)PolígonosSubáreasMudas no plantio
CuritibanosPrimeiro de MaioPA4,0641123.718
CuritibanosÍndio GaldinoPA6,4871275.331
FraiburgoSão João Maria IIPA10,231741310.961
FraiburgoButiá VerdePA38,91453433.843
Grão ParáParque Estadual da Serra FuradaUC24,48886248.243
Monte CarloFlorestan FernandesPA4,5370233.242
Santa CecíliaVida NovaPA10,9210154.679
São JoaquimRPPN Fazenda AraucáriaUC28,27141915.485
6 municípios8 unidades127,9201206785.502

Áreas conforme o Parecer Técnico nº 7/2025; mudas conforme o quadro-síntese por subárea do projeto (Quadro 25). Para o limite do orçamento vale a área do edital, 127,52 hectares.

A RPPN Canto das Arapongas, em Bom Retiro, saiu do projeto: a maior parte da área já havia sido restaurada por outro projeto com recurso público. Por orientação do IBAMA, a área equivalente foi transferida para a RPPN Fazenda Araucária, em São Joaquim, com o consentimento da responsável pela reserva, Carlinda Fischer Mattos.

03O que a Meta I mostrou

A Meta I foi a fase de diagnóstico. Em cada área, a equipe estudou o meio físico (rios, relevo, solos e vegetação) e os aspectos socioeconômicos (uso do solo, produção de sementes e mudas, e população). Os diagnósticos contaram com o apoio da UFSC, da UDESC e da Epagri, além dos diagnósticos rápidos participativos feitos com as famílias assentadas.

3.1Três cenários de restauração

Cada subárea foi classificada conforme a capacidade da natureza de se recuperar sozinha. O cenário define a técnica e o custo.

  1. Cenário A · 6,78 haAlto potencial de regeneração

    • Há banco de sementes no solo e mata conservada por perto.
    • Basta isolar a área (cerca), afastar o gado e o fogo e controlar as gramíneas exóticas. Onde a luz permite, entram mudas das espécies-alvo.
    • Presente só no Parque Estadual da Serra Furada.
  2. Cenário B · 114,16 haMédio potencial de regeneração

    • A mata tenta voltar, mas devagar e com pouca diversidade.
    • Protege-se o que já nasceu e planta-se para enriquecer e adensar: espécies que não chegariam sozinhas, como as quatro espécies-alvo.
    • É o cenário de quase 90% da área do projeto.
  3. Cenário C · 6,98 haBaixo potencial de regeneração

    • Solo cansado, compactado ou erodido, ou longe de matas que forneçam sementes.
    • Exige plantio em área total, controle rigoroso de formigas, adubação e manutenção intensa nos dois primeiros anos.
    • Aparece em Butiá Verde, Florestan Fernandes, Índio Galdino, Primeiro de Maio e São João Maria II.

3.2O que se encontrou nas áreas

  • Floresta com Araucária (Floresta Ombrófila Mista) em estágio inicial a médio na maioria das áreas, com araucária e xaxim presentes em vários fragmentos. Na Serra Furada, Floresta Ombrófila Densa, com palmito-juçara entre as 32 espécies lenhosas encontradas.
  • Solos ácidos e pobres em fósforo em quase todas as unidades, o que pede calagem e adubação fosfatada no plantio.
  • Espécies exóticas invasoras em 20 das 67 subáreas: pinus, eucalipto, ligustro, uva-do-japão, cipreste, madressilva e hera, entre outras.
  • Principais causas de degradação: acesso do gado, fogo, roçada e herbicida que eliminam a regeneração, deriva de agrotóxicos, extração de madeira e caça, taquara dominando o sub-bosque e formigas cortadeiras.
  • Nas famílias assentadas: população em geral acima dos 50 anos, baixa escolaridade, produção de leite, grãos e alimentos para o consumo, e dificuldades com titulação da terra, crédito e assistência técnica. Muitas famílias dependem de nascentes dentro do próprio assentamento.
  • Sementes e mudas: a equipe visitou 22 viveiros do Planalto Sul, Planalto Norte, Alto Vale do Itajaí e Sul de SC para conhecer oferta, preços e legalidade. A base genética para a coleta de sementes veio do Núcleo de Pesquisas em Florestas Tropicais da UFSC.

3.3Os ajustes da versão 3

Na volta a campo, no início da Meta II, a equipe revisou os polígonos indicados pelo IBAMA. Três problemas levaram a ajustes: polígonos que avançavam além dos limites da Reserva Legal, da RPPN ou do zoneamento do parque; formatos muito fragmentados, difíceis de cercar e de plantar; e falta de acesso a algumas áreas. Os polígonos foram unidos e redesenhados dentro das mesmas unidades, com prioridade para matas mais úmidas e sombreadas, onde imbuia, canela-preta e xaxim se estabelecem melhor, e áreas abertas para a araucária. A área total foi mantida.

04Meta II: a restauração em andamento

A Meta II põe em prática o que a Meta I planejou. Ela vai do 16º ao 60º mês do projeto e tem quatro etapas.

  1. Etapa AMobilização, educação ambiental e comunicação

    • Encontros em cada um dos seis assentamentos para apresentar o projeto e colher a assinatura dos Termos de Adesão, com o INCRA convidado.
    • Mutirões de restauração florestal e legislação ambiental e oficinas de proteção de fontes (caxambu) e de fossas e biofiltros, com a Epagri e a UDESC.
    • Comunicação: boletim trimestral Pixurum, informativo por WhatsApp, redes sociais, imprensa e placas nas oito áreas e no viveiro.
  2. Etapa BSementes e mudas

    • Meta de 98.329 mudas (já com 15% para replantio): 80.000 produzidas no viveiro do Centro Vianei e 18.329 compradas de viveiros mapeados no diagnóstico.
    • Reforma do viveiro de Lages, que produz mudas desde 2010, com estufa de 240 m², área de rustificação e irrigação. As mudas são produzidas em tubetes de papel biodegradáveis.
    • Mapeamento de 50 árvores-matrizes e coleta de sementes respeitando a diversidade genética. A canela-preta não produziu sementes viáveis em 2025 e 2026, e as matrizes seguem em monitoramento. Para o xaxim, IBAMA e Centro Vianei buscam uma norma para receber doações vindas de obras licenciadas.
  3. Etapa CExecução da restauração

    • Antes do plantio: cercamento, controle de formigas e retirada das espécies exóticas.
    • No plantio: controle da vegetação competidora, abertura de covas, adubação, hidrogel e coroamento. As técnicas variam conforme a subárea: enriquecimento, adensamento, nucleação, ilhas de vegetação, plantio das espécies-alvo e condução da regeneração natural.
    • Depois do plantio: replantio sempre que a mortalidade passar de 10%, roçadas, adubação de cobertura e novo controle de formigas.
    • Monitoramento já na Meta II, em 165 parcelas de 100 m² distribuídas pelas oito áreas, com avaliações semestrais nos dois primeiros anos e anuais depois.
  4. Etapa DGestão e governança

    • Controle físico e financeiro, relatórios anuais e prestação de contas ao IBAMA.
    • Articulação com conselhos de meio ambiente, associações de assentados, INCRA e parceiros executores.

O primeiro ano da Meta II foi concluído em 2026. Segundo o documento, a implantação já foi feita no PA Índio Galdino e no PA Florestan Fernandes. As notícias do projeto acompanham o andamento:

05Meta III: a continuidade

A Meta III vai do 61º ao 96º mês e garante que a floresta plantada se sustente. O objetivo, ao fim dos oito anos, é chegar a áreas com copa fechada, solo coberto de folhas, sem erosão e com a regeneração natural em curso, capazes de se manter sem intervenção humana constante.

  • Monitoramento das parcelas e dos indicadores ambientais, com relatórios anuais ao IBAMA.
  • Manutenção trimestral: coroamento, controle de formigas, reparo de cercas, replantio e enriquecimento, feita pela equipe da AVICITECS com apoio das famílias assentadas.
  • Aferição do alcance do objetivo: oficinas anuais em Lages com as entidades parceiras, o IBAMA, o INCRA e dois representantes de cada área, e uma oficina final no terceiro ano.
  • Relatório final de execução, com a comprovação do aumento das populações das espécies-alvo. A partir dele, o IBAMA emite o parecer conclusivo sobre o cumprimento do chamamento.
  • Depois do projeto, o viveiro do Centro Vianei continua a produzir mudas para as demandas da região, e os pactos com as comunidades seguem para proteger as áreas restauradas.

06Como o sucesso será medido

Metas para seis anos, definidas pelo IBAMA para os projetos do Chamamento 02/2018:

IndicadorCenário BCenário C
Sobrevivência das mudas70% a 90%70% a 90%
Espécies exóticas invasorasausênciaausência
Cobertura com vegetação nativaacima de 70%50% ou mais em 3 anos; 70% ou mais em 5 anos
Densidade de regenerantesacima de 1.500 por hectareacima de 200 por hectare
Riqueza de espécies regenerantes30 espécies ou mais10 espécies ou mais
Processos erosivos–ausência

Também são medidas a densidade das espécies-alvo e, de forma qualitativa, o isolamento das áreas, o acesso de animais, as espécies dominantes e o estado do solo. No cenário A, cada muda plantada é marcada e acompanhada.

07Cronograma e orçamento

O chamamento prevê oito anos: cinco de diagnóstico, projeto e implantação e, no mínimo, três de monitoramento e manutenção.

  1. Meta IDiagnóstico e projeto finalístico

    • Concluída. Produto: este projeto finalístico.
  2. Meta II · meses 16 a 60Implementação

    • Em execução: Termos de Adesão, estrutura de sementes e mudas, restauração das oito áreas e prestação de contas.
  3. Meta III · meses 61 a 96Monitoramento, manutenção e aferição

    • Relatórios anuais e relatório final de avaliação.
Consolidação orçamentáriaValor
Meta I (com ajuste orçamentário)R$ 812.858,60
Meta IIR$ 5.288.619,93
Meta IIIR$ 791.953,28
CoordenaçãoR$ 1.090.706,22
Total do projetoR$ 7.984.138,13

Valores atualizados até janeiro de 2026. O teto por hectare definido pelo IBAMA para este projeto é de R$ 63.481,37; o projeto ficou em R$ 62.610,87 por hectare. O projeto é custeado com recursos do Acordo de Cooperação Técnica nº 40/2021, oriundos de multas ambientais.