NOTÍCIA

Viveiro do Centro Vianei abastece Projeto Restaurar com mudas nativas da Mata Atlântica

Revitalizada, estrutura recebe sementes e mudas que são preparadas para restaurar mais de 127 hectares com ênfase em espécies ameaçadas de extinção

O viveiro do Centro Vianei abriga vida pulsante. Construído em 2011, o espaço já produziu milhares de mudas de espécies nativas para impulsionar a diversificação de sistemas agroflorestais e restaurar áreas da agricultura familiar em Santa Catarina. Em 2025, após uma ampla reestruturação, o viveiro ampliou suas atividades com capacidade plena e hoje é o coração do Projeto Restaurar.

O primeiro passo foi a limpeza total do terreno. Em seguida, obras de alargamento e terraplanagem melhoraram o acesso, especialmente para os veículos maiores, que fazem carga e descarga de mudas e materiais.

Como a estufa está instalada em uma área mais baixa do terreno, uma das laterais sofria com desmoronamentos. Para solucionar o problema, todo o sistema de drenagem foi limpo e readequado, com instalação de taludes e plantio de espécies para contenção do barranco.

A sede do Centro Vianei fica um pouco abaixo da avenida e isso ocasionava um grande problema de escoamento de água superficial no terreno e por conseguinte, na estufa e na área de rustificação. Para tentar minimizar esse problema, foram feitos drenos com manta, tubo para drenagem e brita em todo pátio, nas laterais da estufa e na área de rustificação.

A estrutura da estufa, que tem 240 m² e é construída em ferro galvanizado, recebeu substituição completa do filme plástico. Também foram instalados sombrites nas laterais e na parte superior, reduzindo a temperatura interna e evitando a entrada de animais domésticos e silvestres.

A estrutura de apoio foi reformada, foram instalados pilares de sustentação, a bancada foi restaurada, foi feito um armário para guardar ferramentas e instalado um tanque. A antiga cisterna de ferro e cimento do Centro Vianei foi desativada e substituída por um reservatório novo, com capacidade para 10 mil litros, que faz captação de água da chuva da sede do Vianei por meio de calhas que abastecem o reservatório da estufa e, por conseguinte, o sistema de irrigação.

Já o sistema de irrigação foi totalmente refeito, com tubulação nova e registros atualizados. Todo o sistema foi reformado e automatizado. Além disso, toda a parte elétrica da estrutura de apoio (gabioto), a estufa e a placa indicativa do viveiro são novas.

Agora, com tudo pronto e funcionando, o viveiro é responsável pela produção de grande parte das mudas destinadas ao Projeto Restaurar. Esse projeto é vinculado ao Chamamento Público nº 02/2018 do IBAMA, que tem como foco a restauração de populações da flora da Mata Atlântica ameaçadas de extinção. Ao final, serão mais de 127 hectares restaurados em seis municípios da Serra e Oeste catarinenses.

Da semente ao plantio: a trajetória das mudas

Com a reforma, a estufa passou a abrigar 530 bandejas de mudas, e a área de rustificação comportará mais 330 bandejas em uma estrutura com bancadas galvanizadas, a maioria utilizando o sistema paper pot, que são embalagens biodegradáveis feitas de fibras de celulose.

Os recipientes, que se decompõem em poucos meses, já vêm com substrato e vão direto ao solo no momento do plantio. “O método diminui a geração de resíduos eliminando o uso de sacos plásticos, facilita o manejo e reduz a mão de obra”, destaca Danúsia Vieira, engenheira agrônoma responsável pelo viveiro.

Ao longo da execução do Projeto Restaurar, o viveiro receberá sementes e mudas de todas as espécies destinadas às ações. Além das três espécies-alvo, que são araucária, canela-preta e imbuia, também estão incluídas frutíferas nativas da Mata Atlântica e outras espécies pioneiras, secundárias e climácicas como pitanga, butiá, cereja, goiaba serrana, araçá, ariticum, uvaia, guabiroba, angico vermelho, cedro, pinheiro bravo, entre outras.

Até o momento, foram produzidas 33.983 mudas no viveiro e deste total já estão no processo de rustificação 6.788 mudas. Tudo está sendo plantado de acordo com princípios da agroecologia.

As sementes são coletadas diretamente pela equipe do projeto em áreas indicadas no relatório Diversidade Genética em Áreas de Coleta de Sementes em Curitibanos e Urubici com Espécies Nativas, elaborado pelo Núcleo de Pesquisas em Florestas Tropicais (NPFT/UFSC), uma das entidades parceiras do projeto. Com isso, a restauração contribui para a preservação do patrimônio genético específico da região.

Articuladamente à coleta própria, o Centro Vianei compra e recebe doações de sementes de agricultores e agricultoras familiares e dos(as) assentados(as) dos Projetos de Assentamento. Até o momento temos uma rede de parceiros que soma 16 agricultores(as), assentados(as) e moradores urbanos.

Eles e elas são de 8 municípios (Santa Rosa de Lima, Urupema, Painel, Bom Jardim da Serra, Bom Retiro, São Joaquim, Curitibanos e Lages). Além disso, já foram adquiridas sementes de empresas autorizadas que comercializam sementes florestais.

As sementes coletadas que não exigem quebra de dormência são plantadas imediatamente, seja diretamente nos paper pots, seja em sementeiras montadas em caixas de feira preenchidas com substrato. Em todos os casos, o monitoramento da germinação é realizado diariamente pelo viveirista Dener Cristian Pereira da Silva, contratado para o Projeto Restaurar.

Após um tempo, as plântulas — como é chamado o primeiríssimo estágio da germinação — são transferidas para as embalagens definitivas. Quando atingem o tamanho adequado, as mudas deixam a estufa e passam para a área de rustificação, que foi construída com os recursos do projeto.

Anexo à estufa, o local é destinado às plantas que já chegaram a um porte adequado para o plantio no solo, mas, antes, todas precisam passar por uma adaptação, quando são gradualmente expostas às condições naturais. “Esse processo é indispensável porque evita o estresse após o plantio definitivo e reduz perdas”, complementa a engenheira agrônoma.

Legado do Projeto Restaurar

Ao final do Projeto Restaurar, previsto para ser finalizado até 2031, a expectativa é que mais de 80 mil mudas tenham sido produzidas pelo viveiro do Centro Vianei. O projeto é supervisionado pelo Ministério Público Federal de Santa Catarina, 6ª Vara do Juízo Federal de Santa Catarina e Instituto Socioambiental (ISA).

O Centro Vianei conta com o apoio dos laboratórios de Ecologia Aplicada (Leap), de Educação no Campo e de Reforma Agrária (LECERA) e do Núcleo de Pesquisas em Florestas Tropicais (NPFT) que são da UFSC, e também do Laboratório de Ecologia Florestal da UDESC.

Números do Viveiro do Centro Vianei

Espécie Mudas (Unidades)
Angico-vermelho 4.158
Araçá 154
Araucária 25.256
Bracatinga 1.000
Butiá 924
Cedro-rosa 1.170
Cereja-preta 154
Goiaba-serrana 385
Guabiju 77
Pinheiro-bravo 243
Pitanga 462
TOTAL 33.983

*Dados coletados em dezembro de 2025

***

Este projeto é realizado com recursos do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) no 40/2021 firmado entre AVICITECS e IBAMA.