NOTÍCIA

Websérie apresenta tecnologias sociais que fortalecem a agroecologia no Sul do Brasil

Produção audiovisual financiada pelo MDA percorre comunidades rurais, extrativistas e indígenas para mostrar experiências coletivas ligadas à soberania alimentar, geração de renda e conservação ambiental

O que faz uma semente atravessar gerações? Como o alimento percorre o caminho do território até a mesa? Essas perguntas percorrem a websérie Da Terra à Mesa, produção audiovisual que estreia em maio de 2026 e apresenta experiências de tecnologias sociais desenvolvidas em diferentes territórios do Sul do Brasil.

Ao longo de oito episódios, a série mostra práticas construídas coletivamente por famílias agricultoras, povos e comunidades tradicionais para enfrentar desafios ligados à soberania alimentar, geração de renda, conservação ambiental e acesso a políticas públicas. A produção percorre regiões de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, revelando soluções que nascem dos territórios e fortalecem a agroecologia.

A websérie é uma produção da Tombô para o Centro Vianei, em parceria com AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, Cemear, Cepagro e CETAP, com recursos do edital Da Terra à Mesa, lançado em 2024 pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA/Governo Federal).

Mulheres, sementes e autonomia

O primeiro episódio acompanha a Associação Mulheres do Cruzeirinho, em Cerro Negro, na Serra Catarinense. A partir do processamento artesanal do pinhão, as mulheres transformam a semente da araucária em alimento, renda e autonomia. O episódio mostra desde a coleta do pinhão maduro até o cozimento, beneficiamento, congelamento e comercialização dos produtos derivados.

Na sequência, a série chega ao Centro-Sul do Paraná para registrar a 20ª edição da Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade, realizada em agosto de 2025. O episódio destaca o protagonismo do Grupo de Mulheres do Coletivo Triunfo, das guardiãs de sementes e defensoras da produção sem transgênicos. Realizado a cada dois anos, o encontro reúne agricultoras e agricultores em torno da preservação e multiplicação das sementes crioulas e da agrobiodiversidade.

Cultura viva e cuidado com a terra

No Alto Vale do Itajaí (SC), a websérie acompanha duas experiências distintas e complementares. A primeira é a Casa da Casquinha, lugar de encontro e produção coletiva da Comunidade Cafuza, onde o milho é beneficiado de forma artesanal com o uso do monjolo. A prática é intergeracional e inclusiva, fortalecendo vínculos coletivos e mantendo viva a cultura alimentar do território.

Ainda na região, o quarto episódio apresenta o Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH), tecnologia social que une famílias agricultoras e pesquisadores em torno da saúde do solo, da redução do trabalho de revolvimento do solo e da produção de alimentos de qualidade. O sistema beneficia diferentes cultivos e aposta na cobertura permanente da terra e na valorização dos microrganismos do solo como estratégia agroecológica.

Soluções simples, impacto coletivo

A websérie também apresenta tecnologias sociais voltadas ao reaproveitamento de resíduos e à conservação ambiental. Gravado no Quilombo Morro do Fortunato, em Garopaba (SC), o episódio sobre a Composteira em caixa d’água mostra como pequenos espaços podem ser transformados em áreas de compostagem segura e eficiente a partir da adaptação de um método desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

No Norte do Rio Grande do Sul, o sexto episódio mergulha no universo das Abelhas Nativas Sem Ferrão. Presentes em casas de agricultoras e agricultores, escolas e praças públicas, elas contribuem para a polinização das plantas e para a preservação das espécies nativas, além de aproximarem comunidades da educação ambiental.

Agrofloresta e novos caminhos de comercialização

A série também acompanha a implementação de um Sistema Agroflorestal (SAF) na aldeia indígena Tekoa Porã, em Canelinha (SC). A experiência parte de uma metodologia desenvolvida por um sítio agroecológico da região para apresentar os princípios agroflorestais de forma simples, prática e acessível a povos e comunidades tradicionais.

Encerrando a temporada, o último episódio aborda os circuitos curtos de comercialização, modelo em que consumidores se conectam diretamente com agricultoras e agricultores familiares para adquirir cestas semanais de alimentos orgânicos e agroecológicos. A prática fortalece a agricultura familiar, reduz intermediários e amplia o acesso a alimentos saudáveis e produzidos localmente.

Estreia

A websérie Da Terra à Mesa estreia no dia 12 de maio, com episódios semanais publicados às terças-feiras nos canais de YouTube das entidades parceiras e divulgadas nas redes sociais.

Você pode acompanhar todos os episódios no Youtube, clicando aqui.