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Oficina valoriza saberes e experiências das mulheres do SAT Pinhão em Capão Alto

No dia 23 de setembro, foi realizada, em Capão Alto (SC), uma oficina voltada à valorização dos saberes, experiências e percepções das mulheres que fazem parte do Sistema Agrícola…

No dia 23 de setembro, foi realizada, em Capão Alto (SC), uma oficina voltada à valorização dos saberes, experiências e percepções das mulheres que fazem parte do Sistema Agrícola Tradicional do Pinhão (SAT Pinhão). A atividade reuniu agricultoras da comunidade, pesquisadoras e estudantes vinculadas à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Esta foi a terceira atividade realizada junto ao grupo de Capão Alto no âmbito do projeto Da Terra à Mesa e, nesta ocasião, a ação foi desenvolvida em conjunto com o projeto Fortalecimento do Sistema Agrícola Tradicional para Produção de Pinhão (SAT Pinhão), também financiado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).
A programação teve início com uma apresentação dos projetos e das ações desenvolvidas junto às comunidades, seguida de uma roda de conversa entre as participantes. O momento possibilitou conhecer aspectos da história da comunidade, suas atividades produtivas, formas de organização e transformações ocorridas ao longo do tempo. As pesquisadoras e estudantes também apresentaram seus trabalhos relacionados ao SAT Pinhão, abordando temas como gênero, identidades territoriais, religiosidade, tradições, produção animal e outras dimensões que fazem parte da vida e da dinâmica desse sistema agrícola.

## Conhecendo as práticas produtivas
Como parte da programação, foi realizada uma caminhada por uma propriedade rural participante da atividade. A visita permitiu conhecer diferentes estratégias de produção e diversificação desenvolvidas pela família, incluindo criação de gado, sistemas agroflorestais com espécies nativas, pomares, cultivo protegido de pequenos frutos e hortaliças, além do extrativismo de pinhão.
Também foram apresentadas áreas de cultivo de plantas medicinais e aromáticas e experiências de processamento de alimentos, como a elaboração de compotas e doces. A diversidade observada durante a visita evidenciou diferentes formas de geração de renda, produção para o autoconsumo e aproveitamento dos recursos disponíveis no território.
A atividade também possibilitou refletir sobre o papel das mulheres na manutenção e diversificação dos sistemas produtivos. Muitas das atividades desenvolvidas no cotidiano das famílias envolvem conhecimentos e trabalhos que nem sempre são reconhecidos como parte da produção, mas que são fundamentais para a reprodução social e econômica das comunidades rurais.

## Conhecimentos tradicionais e reconhecimento do SAT Pinhão
Durante a oficina, também foi apresentada a iniciativa dos Sistemas Importantes do Patrimônio Agrícola Mundial (SIPAM/GIAHS), programa da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) voltado ao reconhecimento e à salvaguarda de sistemas agrícolas tradicionais associados a conhecimentos, culturas, paisagens, biodiversidade e segurança alimentar.

Público presente na oficina que ocorreu em Capão Alto, no dia 23 de setembro de 2026

As participantes conheceram a proposta de reconhecimento do SAT Pinhão e o processo de construção dos documentos necessários para uma candidatura, que envolve a caracterização do sistema e a elaboração de estratégias para sua salvaguarda e continuidade. A iniciativa vem sendo construída pela UFSC em parceria com diferentes atores e organizações do território.

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## Fotolinguagem: mulheres representando seus territórios
Um dos momentos centrais da oficina foi a realização de uma atividade de fotolinguagem, metodologia participativa que utiliza imagens como instrumento para estimular a expressão de percepções, experiências e significados.
Foram disponibilizadas fotografias organizadas em cinco temas relacionados aos principais eixos considerados na proposta de reconhecimento do SAT Pinhão: conhecimentos tradicionais, identidades territoriais, paisagens culturais, agrobiodiversidade e segurança alimentar.
A partir das imagens, as participantes selecionaram aquelas que consideravam mais representativas de suas formas de vida e, posteriormente, compartilharam os motivos de suas escolhas. A atividade permitiu identificar diferentes percepções sobre o território, as práticas produtivas, os conhecimentos transmitidos entre gerações e a participação das mulheres na construção e manutenção do SAT Pinhão.
Parte das fotografias utilizadas na atividade integra o Catálogo Fotográfico do SAT Pinhão, produzido pelo Centro Vianei por meio do Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura, com recursos da Fundação Catarinense de Cultura (FCC) – Governo do Estado de Santa Catarina. As imagens selecionadas pelas participantes também poderão contribuir para futuras produções técnico-científicas e materiais de divulgação sobre o sistema.

## Diálogo sobre políticas públicas e comercialização
A atividade também possibilitou atualizar informações sobre políticas públicas relacionadas à agricultura familiar e à comercialização de alimentos, especialmente o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). O diálogo permitiu identificar experiências, desafios e oportunidades relacionadas à inserção dos produtos da agricultura familiar nos mercados institucionais.
Entre as demandas discutidas estiveram a necessidade de equipamentos e ferramentas que possam facilitar atividades relacionadas à produção e ao beneficiamento do pinhão, além da realização de capacitações voltadas ao aproveitamento e processamento do produto.
A oficina constituiu-se como um espaço de escuta, troca de conhecimentos e construção coletiva, articulando agricultoras, pesquisadoras e estudantes em torno da valorização do SAT Pinhão e de suas diferentes dimensões sociais, culturais, ambientais e produtivas.
A realização da atividade foi organizada pelo Centro Vianei, responsável pela articulação com as agricultoras e com o grupo da UFSC, além da organização da programação e do momento de integração entre as participantes.
A iniciativa reforça a importância de metodologias participativas para reconhecer os conhecimentos presentes nos territórios rurais e contribuir para a valorização e salvaguarda do Sistema Agrícola Tradicional do Pinhão.