Geane Bezerra (MDA), Natal Magnanti
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Reunião entre Centro Vianei, Cepagro, AS-PTA,
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Teixeira Soares/PR – O município foi palco de um dos encontros mais significativos para a agricultura familiar no Sul do Brasil: a 20ª edição da Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade, realizada no Centro-Sul do Paraná. O evento, que começou em 1999 por iniciativa de um grupo de mulheres da comunidade de Pinhalão, segue como um espaço de resistência, partilha e valorização das sementes crioulas, fortalecendo a transição agroecológica e a soberania alimentar.
Nos dias 29 e 30 de agosto de 2025, a feira ganhou vida no Centro de Eventos de Teixeira Soares (PR), marcando um momento especial para o Centro Vianei de Educação Popular, que oficializou o lançamento do projeto “Promoção, fortalecimento e ampliação de sistemas de produção agroecológicos e em transição, por meio de processos de estruturação produtiva, acompanhamento técnico e formação para agricultoras e agricultores familiares do Sul do Brasil”, junto às instituições parceiras.
O projeto foi selecionado na primeira edição do edital Da Terra à Mesa: Por um Brasil com mais alimentos agroecológicos, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), através da Secretaria de Agricultura Familiar e Agroecologia (SAF). Ele tem como objetivo ampliar a produção de alimentos saudáveis e apoiar famílias agricultoras em processo de transição agroecológica.

O edital Da Terra à Mesa representa uma política pública voltada para a agricultura familiar e prevê ações estratégicas, como:
Estruturação produtiva para apoiar a transição agroecológica;
Assessoria técnica especializada e contínua;
Formação de agentes de transição agroecológica, com protagonismo das famílias agricultoras;
Incentivo à conectividade no meio rural.
Segundo Geane Bezerra, coordenadora-geral de Inclusão Socioprodutiva da SAF/MDA, a parceria com organizações da sociedade civil é essencial:
“O edital é uma estratégia para fortalecer processos de produção de alimentos saudáveis. Por meio de termos de fomento, o Governo Federal apoia experiências já existentes no território, como a rede coordenada pelo Centro Vianei, que atua em três estados do Sul do país.”
O projeto é coordenado pelo Centro Vianei, em rede com outras quatro organizações de referência na agroecologia: CEMEAR (SC), Cepagro (SC), CETAP (RS) e AS-PTA (PR) – sendo esta última responsável pela execução direta das ações no território Centro-Sul do Paraná, onde a feira foi realizada.
Para Natal João Magnanti, coordenador do projeto pelo Centro Vianei, o lançamento durante a feira reforça a importância de unir a mobilização comunitária com políticas públicas:
“Esse projeto nasce do trabalho coletivo, de iniciativas que vêm das comunidades, como a partilha de sementes crioulas. Ao mesmo tempo, recebe o suporte institucional necessário para crescer. É um passo importante para garantir a soberania alimentar e a autonomia das famílias agricultoras frente ao modelo imposto pelo agronegócio.”
Geane Bezerra (MDA), Natal Magnanti
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Reunião entre Centro Vianei, Cepagro, AS-PTA,
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A Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade vai além da troca e comercialização de sementes. Cada estande representa histórias de vida, trocas de saberes e resistência frente aos desafios impostos por um sistema produtivo que prioriza a monocultura e a dependência de insumos externos.
As sementes crioulas são símbolo de autonomia: passam de geração em geração, conservando a biodiversidade e garantindo que agricultores e agricultoras não fiquem reféns do mercado de sementes comerciais. Como destaca a equipe técnica da AS-PTA, parceira do projeto:
“Quem depende da semente comercial está alugando a produção, porque precisa pagar todo ano. A semente crioula é liberdade: ela fica conservada na comunidade, pode ser plantada quando necessário e mantém viva a agroecologia e a cultura alimentar tradicional.”
Além das sementes, a feira reúne artesanato, alimentos agroecológicos e espaços de formação, conectando diferentes gerações e fortalecendo laços comunitários. Jovens e crianças participam ativamente, aprendendo sobre a importância da biodiversidade e do cuidado com a terra.

Com mais de duas décadas de história, a feira simboliza um pacto coletivo em defesa do território, da saúde e da justiça social. Agora, com o apoio do projeto lançado pelo Centro Vianei e parceiros, essas iniciativas locais ganham força para crescer, conectando redes comunitárias a políticas públicas que valorizam a agricultura familiar.
“As sementes crioulas representam a resistência da agricultura familiar e a autonomia dos agricultores e agricultoras. Fortalecer esses processos significa lutar por soberania alimentar e por um futuro mais justo e saudável”, finaliza Geane Bezerra, da SAF/MDA.