Na Série Territórios desta edição, o Pixurum apresenta o PA Índio Galdino (Comunidade Irmã Jandira). Sua história teve início oficialmente no dia 11 de novembro de 2005, quando o acampamento se tornou um Projeto de Assentamento criado a partir da desapropriação da Fazenda Roseira.
O PA Índio Galdino é atravessado pelo Rio Marombas, o que divide o assentamento em duas comunidades. Uma área faz parte do município de Frei Rogério e, na outra margem, está a área do PA que recebe o nome de Comunidade Irmã Jandira, já sob a jurisdição do município de Curitibanos. Essa é a parte beneficiária do Projeto Restaurar.
De acordo com o diagnóstico socioambiental feito por uma equipe da Universidade Federal de Santa Catarina, ao todo são 51 famílias assentadas com uma média de 12 hectares cada. Destas, 30 vivem no território que faz parte de Curitibanos.
O nome Comunidade Irmã Jandira é uma homenagem à religiosa Irmã Jandira Bettoni (1951–1994), das Irmãs Franciscanas do Apostolado Paroquial, reconhecida por sua atuação junto aos movimentos sociais e campesinos da Serra Catarinense. A presença e o apoio prestados por ela às famílias acampadas ainda são lembrados pelos moradores como fundamentais na formação do assentamento.
O PA Índio Galdino (Comunidade Irmã Jandira) é fruto de muita luta. Em 1998, o movimento que deu origem ao assentamento iniciou com famílias de Campos Novos, transferidas de um acampamento criado um ano antes naquela cidade, que fica a pouco mais de 70 quilômetros de Curitibanos.
Mais tarde, em 2001, vieram famílias oriundas de cidades um pouco mais distantes, a mais de 200 quilômetros de Curitibanos, como Chapecó e Xanxerê. Com o tempo, por meio de permutas de lotes entre assentamentos e aquisição autorizada pelo INCRA, novas famílias foram chegando.
Muitos moradores têm longa trajetória de luta pela terra, incluindo períodos de 5 a 6 anos em acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e experiências em outros assentamentos da região, como o casal Rosa e Alvadi da Silva, ou Dili, como todo mundo o conhece.
Quando a fazenda a ser desapropriada ainda era um acampamento, Dili morava no lado de Frei Rogério. Em 2005, com a oficialização do Projeto de Assentamento Índio Galdino, as parcelas foram distribuídas para as famílias e o casal migrou para a margem oposta, estabelecendo-se na Comunidade Irmã Jandira, município de Curitibanos.
Dili lembra que desde essa época as questões ambientais já eram um debate central para a formalização do assentamento. A própria legislação exige que todo projeto de assentamento apresente um plano de desenvolvimento. A preservação ambiental é parte importante desse plano e, no caso do PA Índio Galdino, a agroecologia é um dos elementos fundamentais.
Rosa e Dili acreditam que sua propriedade será beneficamente impactada pelo Projeto Restaurar. “Eu trabalho com produção orgânica desde o início. Comercializamos nossos produtos para merenda escolar e por venda direta e, desde 2011, trabalhamos com agrofloresta. Para nós é importante que a floresta esteja viva”, afirma. “A produção agrícola sempre trabalhou com a natureza preservada. A produção em larga escala que mudou isso”, salienta.
Josilaine de Lima, do Recanto Funcho, é moradora do PA Índio Galdino (Comunidade Irmã Jandira) há 17 anos. Ela também acredita que o Projeto Restaurar fará diferença para o assentamento e impactará na produção. Para Josilaine, a água é fundamental e a forma mais eficiente de preservar os recursos hídricos é a restauração e a preservação ambiental.
Essa constatação ganha ainda mais relevância quando observa-se que, conforme o levantamento socioambiental feito pela UFSC, quase 90% das propriedades possuem nascentes e praticamente todas as famílias captam água dentro do próprio assentamento.
Mais de 50% dos moradores do PA vivem da agricultura e somente 23% investe em agropecuária, especialmente na produção leiteira. Entre os principais cultivos estão soja, milho, alho, feijão e hortaliças. Mais de 50% das famílias complementam a renda com atividades fora do assentamento.
O sistema produtivo predominante é o convencional, com mais de 60% das propriedades, seguido de 23,5% no sistema misto e menos de 12% no agroecológico. Em geral, a produção convencional é destinada à comercialização, enquanto práticas agroecológicas são adotadas para consumo próprio. Nesses casos, há presença significativa de sementes crioulas.
A comercialização ocorre principalmente por meio de cooperativas, além de venda direta e intermediários. A produção para consumo próprio é diversificada e inclui hortaliças, frutas e criação de aves, suínos e bovinos.
A maioria das famílias incrementa a renda com o beneficiamento de frutas e verduras produzindo compotas, doces, licores, sucos, geleias, queijos, entre outros produtos. Frutas nativas como araçá, guabiroba, goiaba serrana, pitanga, entre outras, são importantes matérias-primas nesses casos.
As Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais são pontos prioritários de atuação do Projeto Restaurar. O plantio das mudas no PA Índio Galdino (Comunidade Irmã Jandira) já está 100% concluído e, conforme o monitoramento dos técnicos responsáveis, as plantas estão se desenvolvendo conforme o esperado.
Ao todo, foram plantadas 4.890 mudas no PA, distribuídas em 24 espécies. Entre as quatro prioritárias do projeto, a araucária e a imbuia foram as mais significativas, com 1.711 mudas plantadas no total.
O PA Índio Galdino (Comunidade Irmã Jandira) apresenta cenários B e C. De acordo com o engenheiro florestal Luran Monteiro Muzeka, o desenvolvimento das mudas está dentro do previsto, sendo necessárias algumas poucas substituições devido ao ataque de formigas, que já está controlado.