O Projeto Restaurar atua em seis áreas rurais de Projetos de Reforma Agrária (PA), uma área de Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) e um Parque Estadual. A partir de hoje e nas próximas edições do Pixurum, apresentaremos cada uma delas para você.
Vamos começar pelo PA Primeiro de Maio. Localizado em Curitibanos, ele nasceu no centro de um território marcado por disputas agrárias. Seu nome faz alusão à data em que foi criado: 1º de maio de 1997.
A área, de 461 hectares, pertencia à Fazenda Ressaca e hoje abriga o primeiro assentamento do município. Historicamente, a cidade de Curitibanos tem profundas cicatrizes provocadas por conflitos de terra. Além de ter sido palco da Guerra do Contestado, ao longo do início do século XX a tensão agrária atravessou a vida de muitos moradores da região.
O processo que culminaria no PA Primeiro de Maio não fugiu desse padrão. O antigo proprietário da área, Hélio dos Santos Ortiz Junior, decidiu vendê-la ao INCRA, de modo que ela seria destinada à reforma agrária. Porém, fazendeiros e autoridades fizeram todo tipo de pressão para que ele desistisse, mas a decisão foi mantida e a venda ocorreu.
Resolvido o impasse, vieram as primeiras famílias, oriundas de diferentes origens, como: grupos do MST provenientes do Acampamento Pomasa, em Fraiburgo; famílias indicadas pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Curitibanos e região; e integrantes do MST vindos do Assentamento 30 de Outubro. Atualmente, o PA Primeiro de Maio é o lar de 30 famílias.
De acordo com o diagnóstico socioeconômico realizado pela UFSC Curitibanos a pedido do Projeto Restaurar, atualmente, a maior parte dos assentados e assentadas tem mais de 50 anos e quase 40% vivem exclusivamente
da agricultura e pecuária. Milho, soja, alho e uva são os cultivos mais frequentes, seguidos de leite, criação de bovinos para abate e uma pequena agroindústria de embutidos.
Embora o sistema agroecológico seja praticado no assentamento, ele ainda representa uma minoria: está presente em apenas 3,4% das propriedades. A base produtiva ainda é calcada no sistema convencional para a monocultura de commodities como a soja e o milho. Mais de 40% das famílias emprega o sistema misto, que combina o manejo
convencional para as culturas de comercialização com métodos sustentáveis para a produção de alimentos para o consumo próprio.
Nesse caso, incluem-se hortas, pomares, criação de animais, lenha e a fabricação de uma variedade de produtos artesanais como queijos, vinhos, vinagres, salames, licores, doces, sucos e geleias. O PA Primeiro de Maio é banhado pelo Rio Marombas e pelo Arroio Roseira. A exuberante floresta de araucária que havia na área onde hoje fica o assentamento foi devastada antes da venda do terreno ao INCRA.
Na primeira edição do Pixurum, nós explicamos sobre a classificação dos cenários a serem restaurados em A (áreas com alto potencial de restauração), B (áreas com médio potencial de restauração) e C (áreas com baixo potencial de restauração). O PA Primeiro de Maio apresenta cenários B e C, o que demonstra que, sem uma restauração ativa, a mata dificilmente conseguirá se regenerar sozinha.
A boa notícia é que a Meta II do Projeto Restaurar, que tem como uma das ações o plantio das mudas de espécies nativas, está avançando. E, além disso, existem outros projetos focados em biodiversidade, restauração, conservação e produção sustentável em andamento no PA.