Encontro na localidade da Mortandade reuniu agricultores familiares, extrativistas e parceiros em dois dias de debates, oficinas, feira, cinema e música dedicados ao patrimônio cultural da Serra Catarinense
Durante dois dias, a localidade da Mortandade, no município de Painel (SC), virou ponto de encontro de quem vive, cuida e se alimenta da floresta de araucária. Nos dias 15 e 16 de maio de 2026, a região recebeu a 1ª Mostra Cultural do Sistema Agrícola Tradicional – SAT Pinhão.
O evento foi pensado para valorizar e fortalecer o patrimônio cultural imaterial dos agricultores familiares tradicionais e extrativistas da Serra Catarinense. A programação combinou debate político, troca de saberes, alimentação tradicional e arte.
A proposta era simples: abrir espaço para que os conhecimentos ligados ao pinhão circulem, sejam reconhecidos e passem de geração em geração. Esses saberes sustentam a relação histórica entre os povos da araucária, a produção tradicional e a sociobiodiversidade da região.
A sexta-feira começou com a abertura oficial da Mostra. Em seguida, foram apresentadas as ações de salvaguarda do SAT Pinhão, que buscam proteger e dar continuidade a esse sistema como patrimônio cultural imaterial.
A manhã também deu voz a quem mantém o sistema vivo no dia a dia. Agricultores compartilharam suas experiências, e o público participou de debates sobre como valorizar esse patrimônio.
▶ Assista ao vídeo da manhã de sexta-feira (15/05)
À tarde, o foco foram as reivindicações de quem vive do pinhão. Uma audiência pública reuniu as demandas dos agricultores familiares e extrativistas. Rodas de conversa aprofundaram o tema da sociobiodiversidade do SAT Pinhão.
Na sequência, o audiovisual também ganhou espaço: a Mostra marcou o lançamento da websérie Da Terra à Mesa: Tecnologias Sociais no Sul do Brasil (MDA/SC) e exibiu o documentário Quem Colhe o Pinhão?, ambos produzidos pela Tombô.

Ao anoitecer, apresentações artísticas encerraram o primeiro dia em clima de partilha.
▶ Assista ao vídeo da tarde de sexta-feira (15/05)
O sábado foi dedicado à prática. Em oficinas, os participantes aprenderam com quem domina técnicas tradicionais da Serra Catarinense:
Depois, o público degustou os alimentos preparados. O dia seguiu com almoço e apresentações artísticas, que fecharam a Mostra.
Mais do que ensinar receitas, as oficinas celebraram modos de vida e a relação das comunidades com o território. Esses momentos também reforçam as ações de salvaguarda do SAT Pinhão.
▶ Assista ao vídeo do encerramento, no sábado (16/05)

A primeira edição da Mostra reafirmou um ponto central: preservar o SAT Pinhão é também valorizar as comunidades que mantêm viva a identidade sociocultural da Serra Catarinense. O encontro mostrou que esse patrimônio está no prato, na paisagem, na conversa e na luta por reconhecimento.
O projeto foi realizado com recursos do Prêmio Elisabete Anderle 2025.
Confira os registros em vídeo:
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Fotos: Fernanda do Canto/Tombô Produtora
Produção: Fazer Cultural