Centro Vianei de Educação Popular

  • Aumentar tamanho da fonte
  • Tamanho da fonte padrão
  • Diminuir tamanho da fonte

Rede social: Economia solidária, Pegada Ecológica e Responsabilidade Socioambiental

E-mail Imprimir
Avaliação do Usuário: / 5
PiorMelhor 
O efeito estufa é hoje, um dos principais desafios no cuidado com a vida na terra e com possibilidades de sua continuidade. Secas, inundações, frio e calor extremo, furacões, e toda a sorte de desastres climáticos são algumas consequências. As atividades humanas emitem gases causadores do efeito estufa. Assim nos resta o desafio: como diminuir ou compensar as emissões desses gases? É muito importante termos consciência disso e procurar reduzir e compensar as emissões. Mais do que palavras, ou slogans, há necessidade do desenvolvimento de programas, que aliem educação e sensibilização ambiental, mudanças nas formas convencionais de produção e na responsabilidade socioambiental buscando reduzir e compensar as emissões.

 

Com esta visão e com ações individual e coletiva, o projeto Carbono Social em Rede desenvolve três programas interligados: a educação ambiental, a reconversão produtiva de práticas convencionais da agricultura e a adoção de árvores.

A educação ambiental é a base da mudança de atitude. É conscientizando as pessoas quanto ao efeito de suas atividades e ações no ambiente que mudanças pautadas na redução, reciclagem e reutilização de bens e serviços tornam-se possíveis. Estas ações auxiliam para o sucesso do programa de reconversão produtiva, onde os agricultores são orientados no uso de técnicas agrícolas de baixa emissão de carbono (agroecologia e sistemas agroflorestais), e do programa de adoção de árvores, compensando emissões individuais e/ou coletivas.

O projeto incentiva os agricultores familiares a efetuarem plantios de árvores nativas, o que garante além da preservação do patrimônio ambiental, a contribuição para a diminuição do CO2 presente na atmosfera já que as árvores transformam este gás em biomassa (folhas, galhos, tronco e raízes).

Ao plantarem e cuidarem de árvores nativas os agricultores familiares estão contribuindo para a defesa e valorização do patrimônio ambiental, cujos benefícios são compartilhados por todas as pessoas. Nesse sentido, desenvolve-se a concepção de serviço ambiental, como uma possibilidade de retribuição aos agricultores. A adoção de árvores é a forma que encontramos para ligar os prestadores de serviços ambientais - agricultores familiares - e as pessoas e empresas interessadas em contribuir com a preservação ambiental e/ou compensar suas atividades, garantindo assim o ciclo de responsabilidade socioambiental.

Cada árvore plantada e disponível para adoção é fotografada, etiquetada, numerada e georreferenciada, garantindo a efetividade da adoção. Mas além disso, cada árvore também tem uma identidade, uma história única. Da coleta da semente até o momento de sua adoção, elas geraram uma enorme bagagem de conhecimento e consciência ecológica, fazendo parte de uma rede de cuidado e valorização ambiental e cultural. Para muito além do sequestro de carbono, essas adoções tem uma contribuição social (manutenção da agricultura familiar) e ambiental (redução do aquecimento global e manutenção da biodiversidade) muito importante.

A agricultura familiar no Brasil, é a principal força de trabalho que garante a segurança alimentar do país. Mais de 60% da alimentação do povo brasileiro é oriunda da agricultura familiar. E são os agricultores familiares os principais responsáveis pelas matas remanescentes nas regiões mais populosas do Brasil.

O ato de adotar uma árvore capta recursos para a remuneração e para a reconversão produtiva destes agricultores, incentivando o uso de tecnologias ambientalmente responsáveis. Pois além de plantarem e cuidarem de árvores nativas, as famílias agricultoras estão aprendendo e desenvolvendo técnicas de produção sustentáveis, como os Sistemas Agroflorestais.

As árvores adotadas do projeto Carbono Social em Rede neutralizam, em média, 1.000 Kg de CO2 equivalente, sendo que, numa estimativa conservadora, 200 kg do carbono é sequestrado no crescimento da árvore adotada e outros 800 kg são sequestrados pelas atividades ambientais do projeto e pelas árvores protegidas que crescerão no entorno da árvore adotada. Adotamos esse calculo por considerar como importantes e fundamentais para a rede as atividades de educação ambiental em escolas do campo, com filhos de agricultores familiares que visam a prestação de serviços ambientais através do plantio e manejo de árvores nativas, preservando nascentes de rios, matas ciliares, encostas e mantendo a biodiversidade em suas propriedades. Estimamos que cada árvore adotada do projeto, protege outras 4 árvores em seu entorno, somando os 1.000 kg de CO2 equivalente sequestrado por árvore adotada.

Os recursos captados nas adoções são destinados para a remuneração dos agricultores pelo serviço ambiental prestado, a manutenção do projeto e para um fundo de incentivo para agricultura sustentável, que financia projetos dos agricultores familiares. Todo esse processo e informações ficam disponíveis para consulta no site do projeto.

Como contribuir e participar dessa rede de preservação e valorização ambiental e cultural? Há três formas, individuais e coletivas, que contribuem e permitem exercer nossa responsabilidade ambiental com o presente e com o futuro: Redução da Pegada de Carbono; Neutralização de eventos; Responsabilidade socioambiental de empresas.

 

1 – Redução da Pegada de Carbono

Desde o nosso nascimento e até depois de nossa morte, deixamos marcas ambientais de nossa passagem. A isso convencionou-se chamar Pegadas de Carbono, em uma alusão as marcas que deixamos no solo durante uma caminhada.

É importante que as pessoas reduzam, compensem ou apaguem suas pegadas de carbono, deixando o ambiente equilibrado e funcional para as gerações seguintes. É através da consciência ambiental, onde aplicamos o conceito dos 3Rs – Reduzir, Reciclar e Reutilizar – que nós diminuímos nossas marcas negativas no planeta. Porém além dos 3Rs, ainda temos algumas pegadas de carbono para limpar, e nesse aspecto o plantio de árvores nativas é a melhor opção. Mas onde e como devemos plantar essas árvores?

Segundo estudos realizado pela ONU (Divisão de Estatísticas, 2008), um brasileiro emite em suas atividades de trabalho, lazer, família, deslocamento, consumo entre outros, aproximadamente 2,2 toneladas de CO2 equivalente por ano em média. Se ele aplicar os 3Rs – Reduzir, Reciclar e Reutilizar – essa emissão pode ser reduzida em 50%. Porém ainda é necessário compensar mais de 1 tonelada de CO2. Uma das formas de compensar essa emissão de CO2 é através do plantio de árvores. Nesse cálculo seriam necessárias pelo menos o plantio de 5 árvores por ano para fazer a compensação. Assim, podemos facilmente chegar a um valor aproximado por pessoa, considerando uma expectativa de vida de 80 anos e o hábito dos 3Rs, seriam necessários 400 árvores por pessoa. Mas onde plantá-las? Pois seriam necessários 1.600 m² de área, espaço que a maioria das pessoas não dispõem. Essa é a proposta do Carbono Social em Rede, articular pessoas com possibilidades e formas de efetivar a redução da pegada de carbono.

O Carbono Social em Rede faz ligação entre as pessoas que desejam apagar suas pegadas de carbono e as que dispõem de áreas, mão de obra e conhecimento para plantar e cuidar das árvores. Este processo chamamos de “adoção”, ou seja, adotar uma árvore significa contribuir financeiramente para que uma família do campo realize o plantio da árvore, proteja seu entorno e faça os cuidados necessários para o crescimento da árvore adotada e da recuperação natural da área em volta dela, garantindo o sequestro de carbono da atmosfera, proteção de nascentes, rios, encostas e topo de morro. Mas para além dos benefícios ambientais, cada árvore adotada contribui para a manutenção da agricultura familiar, gerando também ganhos sociais importantes para as populações do campo e da cidade. Formando uma rede socioambiental solidária.

No site do projeto, www.carbonoemrede.org.br, podemos adotar as árvores para nossa compensação e da nossa família, e desta forma participar diretamente de uma rede ambiental em prol de um futuro mais justo e equilibrado. Algumas árvores por ano são suficientes para reduzir ou eliminar nossa pegada de carbono e transformá-la numa pegada ecológica e solidária.


2 – Neutralização de eventos:

Todo evento social, seja ele show, casamento, batizado, passeata, festival, quermesse, seminários, palestras, enfim eventos de pequeno ou grande porte, acabam emitindo gases que contribuem para o efeito estufa. Isso acontece principalmente através do consumo de alimentos, do lixo gerado, do deslocamento dos participantes e atrações, ou pela energia elétrica consumida. Nessa fórmula para determinar o impacto do evento, considera-se que a quantidade de CO2 equivalente emitido está diretamente ligado ao número de participantes e algumas características básicas dos eventos. A neutralização, ou compensação destas emissões demonstram a responsabilidade ambiental e social dos participantes e organizadores do evento. Além disso, um evento que neutraliza sua pegada de carbono, atrai patrocinadores e público, o que pode gerar uma fidelidade entre o evento, participantes e patrocinadores, beneficiando a todos.

Mas como calcular a pegada de carbono de um evento? Normalmente, os cálculos de emissão e neutralização de carbono são feitos com base nos gastos de energia e emissão de poluentes das diversas atividades relativas ao evento, tais como: o transporte, tanto dos participantes quanto das atrações, o consumo de energia elétrica, na montagem e no evento, o consumo de água e a geração de resíduos sólidos. Porém, esses cálculos são apenas uma sugestão e variam muito com a metodologia adotada por empresas que prestam esses serviços. Em muitos casos o serviço de levantamento de emissões, feitos por empresas, pode custar mais caro que a própria neutralização do evento, o que, em muitas vezes, inviabiliza economicamente a neutralização. Utilizando todos esses indicadores, com valores médios, o cálculo para um evento em ambiente fechado, com aproximadamente 1.000 pessoas, resulta na liberação de 30 toneladas de CO2 equivalente. Essa pegada de carbono pode ser reduzida em 30%, se o evento executar um plano de gestão ambiental, com práticas como coleta seletiva de lixo, educação ambiental, economia de luz, água, transporte coletivo ou solidário entre outros.

Desta forma, o custo de compensação de um evento torna-se viável. Fazendo a compensação ambiental, ou neutralização do evento através do projeto Carbono Social em Rede, o valor em média para neutralização do evento é de menos que 1 real por participante. E ainda há que considerar os ganhos ambientais e sociais, no fortalecimento da agricultura familiar.

No site www.carbonoemrede.org.br podemos fazer o calculo da quantidade de CO2 equivalente emitido pelo evento e adotar as árvores necessárias para a sua compensação. E ao divulgar o número de árvores adotadas na neutralização do evento, os participantes podem consultar o site e verificar a existência de cada árvore, com sua localização, foto, nome dos responsáveis e atividades ambientais e educativas relacionadas. Assim você tem como comprovar onde e de que forma o evento foi neutralizado.


3 – Responsabilidade socioambiental de empresas:

A responsabilidade socioambiental é o diferencial de uma empresa perante a sociedade e com o meio ambiente. Quando a empresa cumpre a legislação e as normas de seu setor com relação ao meio ambiente e a sociedade não se caracteriza como responsabilidade socioambiental, pois estaria apenas exercendo seu papel e sua função social, enquanto pessoa jurídica, ou seja, apenas cumpre suas obrigações.

O conceito de Responsabilidade socioambiental mais aceito foi definido em 1998, pelo Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável:

“o compromisso permanente dos empresários de adotar um comportamento ético e contribuir para o desenvolvimento econômico, melhorando, simultaneamente, a qualidade de vida de seus empregados e de suas famílias, da comunidade local e da sociedade como um todo”

Uma empresa, que alia sua atuação com responsabilidade socioambiental, tem consciência de sua função social, dos imperativos éticos, da importância de sua atividade e de seus produtos, não somente para a geração atual, mas também do seu compromisso com as gerações futuras. E os benefícios advindos com a postura responsável perante o ambiente e a sociedade são muitos, desde a imagem da empresa até o valor de uso e de comercialização de seus produtos e/ou serviços.

Muitas empresas com responsabilidade socioambiental realizam projetos como: tratamento do lixo industrial, reflorestamento, redução da utilização de agrotóxicos, redução da poluição, creches, inclusão social, inclusão digital, programas de alfabetização, reciclagem, educação ambiental e várias outras ações que trazem benefícios sociais e ambientais.

Neste aspecto, o projeto Carbono Social em Rede, traz a oportunidade para essas empresas contribuírem de forma efetiva e solidária com o ambiente e a sociedade, através de uma parceria que possibilita a ação socioambiental aliada a uma grande evidência e visibilidade. Nesse projeto a empresa tem a oportunidade de adotar árvores, diminuindo as pegadas de carbono de sua atividade e também desenvolvendo uma parceria com agricultores familiares, contribuindo para preservação do ambiente, com garantia de efetivar e comprovar sua responsabilidade social.

As empresas que tem interesse em efetivar sua responsabilidade socioambiental, podem no site do projeto, através de uma calculadora de emissões de carbono, definir o número de árvores a adotar para compensar suas atividades por um ano e assim aliar proteção do meio ambiente, valorização da diversidade ambiental e cultural com o apoio a agricultura familiar e aos serviços ambientais prestados por esses. Ao integrar a rede socioambiental fomentada pelo projeto, a empresa pode utilizar o selo Carbono Social em Rede para divulgar seu compromisso com a sociedade e o meio ambiente. O selo tem validade de um ano, e a empresa terá sua marca vinculada nas ações promovidas pelo projeto naquele ano e em cada árvore utilizada na neutralização, comprovando, para seus clientes e consumidores com fotos, coordenadas geográficas e número de série, a existência da compensação ambiental e a veracidade do selo.