Centro Vianei de Educação Popular

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Princípios e experiências em que se baseia a metodologia a ser utilizada

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Em 2007 o Centro Vianei (Avicitecs) promoveu dois curso de Educação do Campo, atendendo ao movimento nacional em prol de uma educação do campo em diálogo com os Movimentos Sociais do Campo e com as Escolas. Um dos cursos foi voltado à reflexão com os Gestores Educacionais, professores e representantes de movimentos sociais e uma outra proposta específica para docentes da rede pública municipal, dos 18 municípios que compõem essa região,  geo-política. Ao todo 400 pessoas participaram durante o ano dos encontros e do processo de pesquisa. O curso foi uma proposição do Centro Vianei de Educação Popular, que trabalha desde 1983 com ações de educação popular e Agroecologia na Serra Catarinense. Esta Instituição vem ao longo de 30 anos atuando e compartilhando experiências com inúmeras organizações, instituições e movimentos sociais nacionais e internacionais. Das atividades desenvolvidas vale ressaltar a contribuição em parcerias para a realização de Curso de Especialização em Educação e Movimentos Sociais, Curso para Formação de Professores de Escolas Multisseriadas cursos e assessorias nas áreas da agricultura familiar, agroecologia e meio ambiente.
Para realização desse trabalho de formação, o Centro Vianei estabeleceu parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina, Prefeituras Municipais  e contou também com o apoio de docentes e Mestrandos(as) do Mestrado em Educação da Universidade do Planalto Catarinense/Uniplac. A atividade contou com financiamento parcial do MEC.

Um dos objetivos centrais dessa atividade foi sensibilizar os gestores para a importância da adoção de políticas públicas voltadas à educação do campo, contemplando para essa primeira fase a participação qualitativa dos docentes e lideranças comunitárias. Ao final dessas atividades, houve solicitação por parte dos participantes (documento em anexo) da continuidade dos dois cursos, na perspectiva de educação continuada para os educadores e a realização de uma segunda edição também, para oportunizar formação e capacitação aos demais professores.
Toda essa proposta insere-se numa política nacional de educação do campo. As políticas de educação do campo objetivamente estão sendo estruturadas a partir de pressão dos movimentos sociais nestas últimas décadas. O próprio conceito é uma tentativa de marcar as diferenças referentes a outras propostas educacionais presentes na história da educação brasileira, como por exemplo, a educação rural. Conforme salienta Caldart (2007):
    
A Educação do Campo nasceu tomando/precisando tomar posição no confronto de projetos de campo: contra a lógica do campo como lugar de negócio, que expulsa as famílias, que não precisa de educação nem de escolas porque precisa cada vez menos de gente, a afirmação da lógica da produção para a sustentação da vida em suas diferentes dimensões, necessidades, formas. E ao nascer lutando por direitos coletivos que dizem respeito à esfera do público, nasceu afirmando que não se trata de qualquer política pública: o debate é de forma, conteúdo e sujeitos envolvidos. A Educação do Campo nasceu também como crítica a uma educação pensada em si mesma ou em abstrato; seus sujeitos lutaram desde o começo para que o debate pedagógico se colasse à sua realidade, de relações sociais concretas, de vida acontecendo em sua necessária complexidade.

Como podemos observar a própria definição de educação do campo é também um campo de conflitos, de sonhos e utopias na definição de projetos e modelos sociais. É um conceito ainda em construção, no qual se ressalta o processo de construção em diálogo com os movimentos sociais. Como se observa  é uma educação do Campo e não para o campo. Nesse caso muda-se a antiga lógica linear e piramidal de se pensar. O que se deseja e o que se quer está representado por protagonistas que simbolizam trajetórias histórico-políticas,  resistências e que num movimento conjunto, contrapõem-se as  políticas anteriores construídas em dissonância com os movimentos e com as pessoas que vivem no campo e do campo.
 
Em 2004  foi criado pelo governo federal,  a secretaria especial para Educação do Campo entre suas atividades iniciais,  realizou seminários regionais e estaduais, discutindo as estratégias para implantação de políticas de Educação do Campo. A secretaria tem como um de seus objetivos :

A meta é pôr em prática uma política de Educação que respeite a diversidade cultural e as diferentes experiências de educação em desenvolvimento, em todas as regiões do País, como forma de ampliar a oferta de educação de jovens e adultos e da educação básica nas escolas do campo. (SECAD, 2007).

Entre esses seminários em 2005,  foi realizado o primeiro Seminário de Educação do Campo na Serra Catarinense, organizado pelo MEC em parceria com o Centro Vianei de Educação Popular e a Pró-reitoria de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação da Uniplac. Deste seminário surgiu a necessidade de realização de cursos para gestores e docentes sobre Educação do Campo. Trabalhar com Educação do Campo é prioritariamente, ultrapassar os limites da discussão pautada somente na escolarização. É como salienta Caldart (2007), uma própria exigência desse processo, pois:

A materialidade de origem (ou de raiz) da Educação do Campo exige que ela seja pensada/trabalhada sempre na tríade: Campo - Política Pública - Educação. É a relação, na maioria das vezes tensa, entre estes termos que constitui a novidade histórica do fenômeno que batizamos de Educação do Campo.

Este contexto de organização participativa no campo é extremamente complexo pois, procura-se negar os modelos institucionais e burocráticos vigentes, que com facilidade transformam em exclusão suas práticas endereçadas para os interesses sociais. No caso da Educação do Campo, o objetivo é construir processos que assimilem os ganhos que a institucionalização oferece, mas sem perder os valores democráticos e participativos construídos na experiência marginal dos movimentos sociais.
 
Para se alcançar tal intento, há que se ter consciência da complexidade das ações e do alto nível de compromisso político e profissional dos sujeitos envolvidos. De fato, não se chegaria a bom termo com meras atividades isoladas, que se perdem nos tempos pedagógicos, se perdem nos espaços da burocracia, se perdem nos interesses particularistas.
 
Para isso, propomos ações continuadas que contribuiram com a educação do campo na serra catarinense. Assim desenvolveremos as atividades da seguinte forma, nesse primeiro ano: